
Como eu preferia as coisas à moda antiga. Eles a aparecerem lá por casa e a minha mãe a inventar desculpas, que eu não estava, que eu não podia porque estava na aula de francês, de piano ou a bordar em amena cavaqueira com as minhas irmãs e amigas. Hoje em dia não é assim, há o facebook, o blackberry, emails, sms', vivemos sozinhas, temos dinheiro e somos independentes das mães que lá atrás há umas décadas também só queriam o melhor para as suas princesas.
Não desdenho o presente, se há alguém que aproveita todas estas maravilhas sou eu. Adoro viajar, adoro viver sozinha, adoro estar sempre em contacto com os meus amigos… Mas há coisas que funcionavam tão bem lá atrás que não as devemos menosprezar, como a arte de não estar sempre disponível.
As minhas amigas perguntam-me porque e que eu NUNCA ligo e raramente devolvo as chamadas a um homem. A minha resposta costuma ser simples, se ele está assim tão interessado, volta a ligar. Na verdade, o meu problema em ligar a um homem prende-se com o facto de que quase de certeza que o interrompo em algo, a ver futebol, a conversar com um amigo, um colega, a entrar para o ginásio ou a sair do carro. Provavelmente dada a falta de sentido de oportunidade, o mais provável é ser despachada, e isso, meus queridos, cai-me mal. Mesmo que eu saiba que há uma razão, sinto os "já te ligo, um beijinho, xau" como ficar pendurada a dar dois beijinhos ou deixar alguém pendurado a dar um beijinho. Não gosto, fico a remoer com a insegurança a tomar conta de mim e arrependo-me imediatamente. Aquele impulso que não valeu a pena saciar, fica ali a pesar-me a alma. Ainda por cima, quando é ao contrário passamos por interessantes, ocupadas, misteriosas e eles adoram isso em nós, vá-se lá entender.
Depois mudo de assunto, afinal "ser difícil" é uma arte esquecida pela maior parte das mulheres hoje em dia. Não é que sejam fáceis, ou oferecidas, mas muitas têm a ilusão que depois de um liceu, de canudo debaixo do braço e carreiras de sucesso estaríamos de igual para igual com eles nestas coisas das relações. Não me entendam mal, eu acho é que jamais deveríamos ceder a nossa posição de superioridade nestas coisas.
Posso não levar muitos anos disto, mas já levo alguns e pude observar uma coisa: quando eu não estou interessada em alguém, essa pessoa não pára de ligar, envia flores, desdobra-se em actos românticos, programa os dates ao pormenor, férias e uma vida em comum. Por isso, acho que se deve fazer um pouco como a minha avó diz: tratar aqueles que queremos como se não quiséssemos assim muito.
Bem sei que não é fácil, que há um impulso idiota de deixarmos preto no branco e em todas as cores do arco-íris que estamos interessadas e isso por norma arrefece as coisas um pouco se acontece muito no início.
Por isso, quer goste, goste muito, ou não goste, não ligo. E quando gosto muito e me ligam, acende-se um sorriso e a confiança que alguém me quer bem.