Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

from Italy with love 2

a serio, so eu, mas so mesmo eu para acreditar quando ele olhou para mim com ar surpreendido a apontar para uma garrafa de champanhe enterrada na neve! so quando vi que ele trazia umas flutes cai em mim de ridicula! e que achei que era mesmo sorte encontrar aquilo ali, mas a minha prudencia dizia-me que nao deviamos beber porque sabe-se la!

mil vezes buh para mim. ele e um pedaco de mau caminho, preciso urgentemente de nomes de clinicas de detox de italianos fofos!

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

from Italy with love

(desculpem desde ja a falta de acentos mas este teclado italiano e maluco)

Vou ficar por aqui (italia) e nao por aqui (blog e internets diversos) ate voltar a Madrid para o meu novo emprego o que vai acontecer mais cedo do que gostaria. Ficam aqui no entanto alguns assuntos sobre os quais me vou debrucar um dia destes:

1. sera que e tao dificil para um homem baixar a tampa da sanita, como e para mim subi-la? deveria eu, num acto de generosidade e altruismo deixar-lhe ja a tampa levantada, ja que me parece minimo olimpico que ele a deixe fechada? Para o futuro: quando tiver uma casa com um homem o meu sonho de consumo e nao partilhar a casa de banho com ele, nestes ultimos dias foi-se 20% do misterio e olhem que eu me esforco.

2. nao quero que a minha irma cresca. fez outro dia 14 anos do dia mais feliz da minha vida e ja tenho saudades de quando ela aceitava ser tratada como um bebe? para mim nada mudou, mas ela ja nao deixa.

3. sinto-me ridicula e exausta. depois de 4 horas a fazer ski doi-me o corpo todo. tenho que entrar para o ginasio e comecar a fazer exercicio. mais uma coisa, como e que mantenho o meu cabelo giro se nao para de nevar e se formam pequenas grandes estalactites nas pontas. medoooo!

4. onde estara o carregador da minha maquinha fotografica. estou em risco grande de nao ter fotos destes dias maravilhosos em Italia.

5. tenho saudades disto. muitas. beijinhos grandes a todos voces (formato o post quando estiver num pc com teclado como deve ser)

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Se eu soubesse que ia ser assim…

Esperava um segurança para me acompanhar à rua, não ter oportunidade de enviar um email de despedida ou sequer acenar um adeus emocionado aos meu colegas. E se esperava isto foi porque já aconteceu com outras pessoas. Por isso foi a surpresa total quando o meu chefe disse estar triste, argumentou razões para eu ficar, abriu-me outras portas e exausto e vencido nos argumentos me desejou toda a sorte do mundo, para logo corrigir só sorte, porque vamos ser concorrentes. Fico mais uns dias aqui a fazer nem sabem bem eles porquê, mas querem tempo para se despedir mesmo que eu vá para o outro lado da rua. Depois vieram os abraços, toda a gente a desejar-me sorte e a ligar-me dos outros escritórios que temos. O meu chefe, possuído por um ser amoroso que eu desconhecia organizou uma vídeo-conferência com todos os escritórios para me agradecer bla bla bla, despedir-se, e desejar boa sorte na minha nova etapa profissional. Mas quando me passou a palavra e viu que não me saía nada - tinha um nó na garganta do tamanho de uma laranja - continuou os elogios até eu ter fôlego para agradecer tudo o que aprendi, as noitadas, os deadlines, os desafios, as avaliações, as festas e celebrações, e os amigos que fiz. Só levo coisas boas! Eu cresci aqui, mas preciso de crescer noutro sítio, preciso de arriscar e tentar coisas novas, pôr-me à prova, e ser desafiada. Eles entenderam e esperam-me dois dias emocionantes de despedidas, copos, almoços, como se tudo fosse "a última" vez, quando eu sei que o mundo dá tantas voltas, e o meu é tão pequeno que certamente nos voltaremos a encontrar. Vou estar mesmo ao lado.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Hoje é o dia?

Em que finalmente vou pedir a demissão?

Isto já se prolonga há umas semanas. Há umas semanas que digo a mim própria e aos outros que me querem do outro lado da rua que saio na semana seguinte. Depois vejo que é difícil e eles lá me levam para uns copos "porque tu trabalhas demais" ou para almoçar e jantar nos melhores restaurantes de Madrid "porque estás tão magrinha". Entretanto vou-me sentindo uma traidora por beber gin tonics em amena cavaqueira com "os outros". Mas esse sentimento vai-se logo quando passo noites inteiras e fins-de-semana a trabalhar como se não houvesse amanhã. Chamam-me maluca por dar tudo de mim a uma camisola que já despi, mas sempre achei que queria sair bem de um lugar que fez de mim o que sou em termos profissionais. E sair bem implica não deixar nada pendente, deixar tudo organizado e agir com lealdade a quem ainda me paga o salário. Os outros torcem o nariz mas sabem que serei igual quando lhes disser adeus um dia, estas coisas fazem parte do carácter de cada um e o meu é assim. Mas não pensem que muitas vezes não me passa pela cabeça mandar tudo pelos ares e bater com a porta, mas logo me lembro que só a quero encostar porque a vida dá muitas voltas e o mais certo é voltar a encontrar parte destas pessoas num outro projecto no futuro. Ontem tive a melhor avaliação desde que comecei a trabalhar, abraços, palmas e alguns beijinhos, e isto merece uns copos no jueves e eu disse que sim, porque vai ser a minha despedida. Acho que é a melhor altura para sair porque nunca estive tão bem profissionalmente e "os outros" reconhecem-me isso com um número muito redondo o que ao fim do mês vale um pouco mais que abracinhos. Ainda para mais dizem que mais que abracinhos, me vão dar a mão, o braço e um miúdo para eu infernizar e ensinar o muito que eu ainda tenho para aprender. Mais que pelo dinheiro (mas também) vou pelo projecto, porque vou viajar muito, porque quero voltar a acordar com vontade de ganhar o mundo, porque vou crescer mais rápido do que cresceria se continuasse aqui.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Obrigada

Pois muito obrigada aos vossos deuses, santos, poções e promessas. Correu tudo bem e a pequena está no caminho para o estrelato. Caber-lhe-á certamente a constelação que reservam os astros aos médicos e será em forma de estetoscópio ou algum osso daqueles difíceis cuja descrição a fizeram decorar lá atrás no primeiro ano do curso. Muitos podem dizer que ela tem sorte, tem e não vamos já irritar algum Deus no Olimpo, mas também faz por merecer. Que todos queremos muitas coisas, que todos queremos muitas coisas boas e uma carreira cheia de sucessos, mas no final o que distingue os que apenas sonham dos que a chegam lá é o trabalho, muito trabalho, muita dedicação daquela que chega a doer.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

cinco minutos

A minha irmã queixou-se que eu nunca falei sobre ela no meu blog. É uma mentira patética, claro está. Mas antes deixem-me esclarecer uma coisa porque eu tenho duas irmãs (além de um irmão rapaz). Tenho uma irmã pequenina - e que vai ser pequenina mesmo quando tiver filhotes - e a quem este blog provocaria certamente danos profundos na admiração que tem por mim e eu, como diva que sou, não posso dar-me ao luxo de a perder assim por umas palavras escritas num momento de demência. Depois, ou a bem da verdade, antes já tinha outra irmã, quase da mesma idade que eu, separadas apenas pelos cinco minutos em que ela se deixou lá ficar dentro no quentinho. Eu tenho para mim que lhe disse para ficar lá dentro quietinha enquanto eu ia espreitar as vistas e se valesse mesmo a pena desatava aos berros para ela se pôr a caminho. Fiquei logo muito ocupada a gritar assim que vi o sorriso lindo misturado com lágrimas de felicidade da nossa mãe e só parei de berrar um bocadinho quando a mãe me encheu de beijinhos o que foi incrível dado que eu era uma bebé mesmo feia e estava toda cheia de porcaria - pudera nove meses a tomar banho no mesmo liquido amniótico, partilhando a banheira com a outra bebé - o mundo tinha que ser um lugar bom para se viver! Foi tudo muito rápido, nem reparei no que me rodeava, "aquela palmada era escusada" lembro-me de pensar e desde esse momento soube que teria mau feitio e seria reivindicativa. A Ni lá veio toda contente e com pressa, demorou cinco minutos a fazer o caminho que eu demorei horas a abrir - os irmãos mais novos têm sempre as coisas facilitadas pelos mais velhos, foi a primeira lição que a vida me deu e ainda nem me tinham tirado a porcaria que ficara nas dobras das minhas gordurinhas de bebé. Nesse momento soube que além do mundo ser um lugar bom para se viver, eu iria ter uma vida interessante: àquele ritmo de lição de vida a cada cinco minutos quem sabe um dia poderia ter um blog e as pessoas passassem lá para me ler... Foi quando soube que além de mau feitio e ser reivindicativa, me ia dar bem com letras e números e viveria para sempre entalada entre esses dois mundos sem saber bem a qual pertencer. Porque não aos dois? Ela chegou finalmente depois de me ter feito berrar cinco minutos seguidos, e eu deixei de ser filha única. Não sei como a minha mãe conseguiu fazer aquela coisa de multiplicar o amor que tinha por mim por aquela bebé feiosa também. Lá conseguiu apesar de eu as vezes achar que a tratava melhor por ser mais magrinha, mas depois eu também tinha o mesmo instinto que cuidar da pequena e perdoava-lhe esses deslizes. Ora a minha irmã chegou e pôde apreciar as vistas sem ter que se por num pranto a chamar quem tinha ficado dentro da barriga, agora o T0 estava vazio mas mal sabíamos nós - e os nossos pais também - que não teria que esperar cinco meses para ter um novo inquilino. Dizia eu que a Ni teve tempo para ver as coisas, sentir o cheiro do hospital, olhar nos olhos dos médicos, reparar nas batas brancas com os nomes dos senhores doutores bordados e sentir o frio estetoscópios, e o mais curioso: gostar. Há quem diga que foi influência do pai que a miúda aos três anos já queria ser médica também, mas gosto de pensar que foi ali, porque foi bem recebida depois de eu ter ido a frente a organizar a logística (tão eu). Podia demorar-me sobre histórias engraçadas que já vivemos, típicas de gémeos e que vocês, comuns mortais, acham interessantíssimas. Imaginem que os primeiros cinco minutos foram assim, como não terão sido os muitos anos que se seguiram...

Enfim, este post mais que ser sobre ela, é para ela, a minha irmã gémea. A verdade, verdadinha é que tenho sempre saudades dela mesmo que possa olhar-me ao espelho para as matar um bocadinho, depois lá carrego um pouco mais na maquilhagem porque sei que é como ela gosta de me ver... Irrita-me tanto porque tem razão quase sempre, tem uma postura equilibrada e de bom senso quando eu sou toda impulsos e arrebates. E o pior é que ela sabe que eu no fundo lhe dou sempre razão. O que ela não sabe é que tenho escritas as palavras do meu discurso quando se case, que tenho um plano de poupança para vestido-joias-louboutin-lingerie para esse grande dia quer seja para o ano ou daqui a muitos porque essas coisas não se querem com pressas, tenho a lista de presentes com que os meus sobrinhos vão ser presenteados ao primeiro sintoma de enjoo matinal, sonho com as viagens à neve ou à Disney em família, a nossa claro está. Mas sim, o J. e a M. podem vir também e trazer os putos ranhosos que eu vou dar-lhes gelados e beliscões também. Mesmo que a Ni seja mais irmã que qualquer irmão e mais amiga que qualquer amiga. E pronto, isto tudo porque hoje é o dia dela. Nestas coisas dos médicos há muitos dias e muitos já ficaram para trás, e este é mais um e eu sei que ela vai arrasar. Por isso meus queridos, hoje toca a ligar à mãe de santo, ao padre da paróquia e da paróquia vizinha também, ao professor caramba e caramba se a Maya também não poderia ajudar, alinhem-se os astros, o sol apareça, se crie uma corrente de ar quente que provoque precipitação de boa fortuna naqueles exactos pontos cardeais que os pés 38 dela pisam.

Boa sorte minha querida.


* Só para terem uma noçãozinha do que esta menina vale: 94% teve ela no exame da especialidade, ficando assim como na nata da nata dos cromos todos que andam por ai a salvar as vidas deste povo doente e sarnoso e que cheira mal e acha que toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga. E pronto, eu não ia resistir a armar-me!

Domingo, Novembro 22, 2009

Easy like a Sunday morning...

Queria tanto poder ter ficado por ali e não por aqui.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Party!

Esta noite não quero saber que amanhã vai existir, porque isso é um assunto menor. Esta noite quero divertir-me como se não houvesse amanhã. Acabei de saber que tenho que trabalhar algo este fim-de-semana o que é sempre mais do que deveria e muito mais do que me apetece. La vida es una, o la vives o te la cuentan.

Coisas Minhas

Como eu preferia as coisas à moda antiga. Eles a aparecerem lá por casa e a minha mãe a inventar desculpas, que eu não estava, que eu não podia porque estava na aula de francês, de piano ou a bordar em amena cavaqueira com as minhas irmãs e amigas. Hoje em dia não é assim, há o facebook, o blackberry, emails, sms', vivemos sozinhas, temos dinheiro e somos independentes das mães que lá atrás há umas décadas também só queriam o melhor para as suas princesas.

Não desdenho o presente, se há alguém que aproveita todas estas maravilhas sou eu. Adoro viajar, adoro viver sozinha, adoro estar sempre em contacto com os meus amigos… Mas há coisas que funcionavam tão bem lá atrás que não as devemos menosprezar, como a arte de não estar sempre disponível.

As minhas amigas perguntam-me porque e que eu NUNCA ligo e raramente devolvo as chamadas a um homem. A minha resposta costuma ser simples, se ele está assim tão interessado, volta a ligar. Na verdade, o meu problema em ligar a um homem prende-se com o facto de que quase de certeza que o interrompo em algo, a ver futebol, a conversar com um amigo, um colega, a entrar para o ginásio ou a sair do carro. Provavelmente dada a falta de sentido de oportunidade, o mais provável é ser despachada, e isso, meus queridos, cai-me mal. Mesmo que eu saiba que há uma razão, sinto os "já te ligo, um beijinho, xau" como ficar pendurada a dar dois beijinhos ou deixar alguém pendurado a dar um beijinho. Não gosto, fico a remoer com a insegurança a tomar conta de mim e arrependo-me imediatamente. Aquele impulso que não valeu a pena saciar, fica ali a pesar-me a alma. Ainda por cima, quando é ao contrário passamos por interessantes, ocupadas, misteriosas e eles adoram isso em nós, vá-se lá entender.

Depois mudo de assunto, afinal "ser difícil" é uma arte esquecida pela maior parte das mulheres hoje em dia. Não é que sejam fáceis, ou oferecidas, mas muitas têm a ilusão que depois de um liceu, de canudo debaixo do braço e carreiras de sucesso estaríamos de igual para igual com eles nestas coisas das relações. Não me entendam mal, eu acho é que jamais deveríamos ceder a nossa posição de superioridade nestas coisas.

Posso não levar muitos anos disto, mas já levo alguns e pude observar uma coisa: quando eu não estou interessada em alguém, essa pessoa não pára de ligar, envia flores, desdobra-se em actos românticos, programa os dates ao pormenor, férias e uma vida em comum. Por isso, acho que se deve fazer um pouco como a minha avó diz: tratar aqueles que queremos como se não quiséssemos assim muito.

Bem sei que não é fácil, que há um impulso idiota de deixarmos preto no branco e em todas as cores do arco-íris que estamos interessadas e isso por norma arrefece as coisas um pouco se acontece muito no início.

Por isso, quer goste, goste muito, ou não goste, não ligo. E quando gosto muito e me ligam, acende-se um sorriso e a confiança que alguém me quer bem.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Pasta para o meu futuro Mac

Acabei de a encontrar na internet. Queroooooo!

Marc by Marc Jacobs por $55 @ net-a-porter. Só não dizem o essencial, se o meu futuro Mac cabe lá dentro. Não se faz!

Eu???

Hoje vieram entregar-me mais uma encomenda aqui ao escritório. Perante o olhar inquisidor dos meus colegas a minha resposta não tardou. Com o que ando a trabalhar não tenho tempo para ir às compras, por isso acabo por fazer uns clicks e comprar pela internet como uma doida. Até já decidi que vou a encomendar vários presentes de Natal pela internet porque já prevejo semanas complicadas pela frente com a mudança de casa, umas mini-férias na neve que não vão ser tão minis afinal, e outras coisas que sempre me acontecem e eu não posso prever, se bem que outras posso. Hoje ia comprando o novo Mac Book, acrescentei-lhe mais memória RAM, mais memória de disco, uns cabos para ligar à minha televisão, uma impressora, algum software e tive dúvidas na capa protectora. Decidi que me vou oferecer a mim própria esta beleza, o meu MAC antigo está velhinho e a pedir a reforma e eu entendo-o.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

What's on my mind??? A minha ditadura!!!

Sobre o Facebook toda a gente já falou, até eu e com piada calha bem. Mas depois de uma conversa com uma amiga decidi estabelecer mais uma regra da minha ditadura:

Toda a gente devia ter facebook, mas não chegava abrir conta com o nome e pouco mais e ir lá de vez em quando aceitar os amigos. Isso é o que já é suposto fazer-se! Na minha ditadura as pessoas tinham que actualizar o status pelo menos todos os dias, só assim numa de dizer o que andam a tramar e com quem que é para quem de interesse deixasse de roer as unhas. Na minha ditadura toda a gente tinha que por fotos das viagens, das noitadas e do cachorro dos pais. Na minha ditadura toda a gente tinha que ter o relationship status actualizado e nada de mentir na data de nascimento.

Se calhar muitas coisas perdiam a piada, mas quem sabe outras coisas sem piada nenhuma eram também poupadas.

de dedos entalados vos escrevo

Ontem ele fez-me gelar, tremi de um frio que vinha de dentro e do qual não tenho saudades. Sem querer enviou-me uma mensagem que não era para mim. Fosse em português, espanhol ou inglês e teria sido um elogio, sentir-me-ia importante pelo instinto apontar o meu nome. A mensagem era em italiano e eu que me considerava já uma entendida, interpretei aquilo à minha maneira, não era coisa bonita de se ver mas mesmo assim li uma, duas e muitas mais vezes chegando sempre à mesma conclusão: "Casanova de uma figa". Quando ele se apercebeu do erro deu importância menor ao assunto e continuou como se nada fosse. Pois eu não estava virada nem para rodar a baiana nem para mais conversas e despachei-o, mas o cansaço e o sono tinham-se ido quando a fúria me tinha invadido as entranhas. Entretanto fui ao google translator no telemóvel ver que versos apaixonados eram aqueles, mas a tradução devolveu-me uma mensagem banalíssima sobre negócios.

Fica aqui uma ideia: mesmo os assuntos mais enfadonhos soam tremendamente sexys em italiano. Agora vou só ali entalar os dedos na porta por não ter demorado nem um segundo a assumir que o meu ragazzo era um grandessíssimo macaco.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

OMG

Sei que ontem conversámos mais que quinze minutos à noite porque está lá o registo na minha blackberry. É mais, lembro-me vagamente dele me perguntar se eu estava a dormir e eu dizer que não, mas estava. Por mais que me esforce, não me lembro de muito mais, mas a verdade é que dezasseis minutos e vinte e sete segundos dão para muita treta. Ó meu Deus, na versão da parvónia de OMG... que patetices terei eu dito?

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Já cá cantam!

Para usar no próximo evento social que deve acontecer daqui a uma década quando já não se usarem saltos mortais de doze centímetros com sola encarnada compensada. A sorte é que vou ter que treinar o equílibro em casa o que me vai fazer sentir uma verdadeira estrela. Três letrinhas apenas: WOW!

Domingo, Novembro 15, 2009

Cúmulo do optimismo

Estava a reler o post anterior e apeteceu-me gozar comigo própria. Ri-me tanto que me ia engasgando com a sandwish de hilada de jamon y higos do Rodilla. É que já passa das dez em Madrid e as únicas pessoas com quem falei ao vivo durante o fim-de-semana todo foram o porteiro do meu escritório e a empregada do Rodilla. Sim, trabalhei non stop e ainda aqui estou, quase a mandar-me para o meu sofá que qualquer dia pede separação litigiosa, mas ainda por aqui. Ainda por cima, posso não o ter visto mas foi como se o sentisse a respirar no meu ombro: o meu chefe mandou-me emails e pressionou esta escrava-dos-dias-modernos como se não houvesse amanhã porque é isso que ele sabe fazer melhor. Por outro lado, posso não os ter abraçado, mas foi como se me tivessem um a um vindo aqui dar-me um mimo. A eles o meu muito obrigada, e porque isto assim no geral não vale, vamos pôr iniciais aos safados: a I, a K, a M, a B, o B e o L. Eu sei o que vocês estão a pensar, e sim, os meus amigos são melhores que os vossos. Depois ainda que a bem da verdade os olhos azuis dele não me tivessem sorrido, foi como se tivessem. A ele que tem estado por aqui mesmo quando não está, que foi vindo e indo e ficando cada vez mais, e que me mima como se tivesse nascido para isso, o meu obrigada. E a vocês todos meus queridos que vêm aqui ler as minhas patetices, e ainda comentam sempre queridos e fofos: muito obrigada!

pensamento de domingo

Tenho tido tanta sorte que até tenho medo de falar dela em voz alta ou escrever. Ainda falta dar uns nós, fazer um laço daqueles bem bonitos e juro que não peço mais nada para mim. Depois esta maré de sorte pode abandonar-me - deixando-me claro à minha boa sorte do costume, obrigada por teres estado sempre aí - e ir para alguém que precise mais.

A minha vida não é perfeita, mas sinceramente chego a um ponto em que sei que não vale a pena olhar para os defeitos, não vale a pena por pegas a uma lufada de ar fresco que tanto teima em entrar... Seria uma perfeita idiotice estar agora - logo agora - a demorar-me em negativismos. Agora é altura de agradecer e de estar feliz.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

A casa é minha!

Achei que tinha que assustar o homem, mas um buh chegou, isso e dizer que assino já o contrato e lhe ponho a pequena fortuna da fiança na conta. Pequena fortuna essa que sairá com cadência mensal da minha conta para a conta dele. Enfim...

Antes ainda de uma limpeza a fundo - porque tenho que ser eu a limpar pela primeira vez a fundo o chão que vou pisar descalça mais tarde - tenho que mudar a fechadura da porta. O dono do apartamento pareceu-me um alucinado do pior: típico trintão, enfezado, com roupa de betinho que a mãe comprou porque ainda vive com a mãe que lhe escolhe a roupa de manhã. Sabem o estilo? Só me apetecia fazer mil vezes buh para o homem acordar para a vida!

Mas tenho o apartamento, janelas enormes, um sexto andar sem concorrência mais alta à frente e claro no lugar de sempre: o meu querido bairro de Salamanca e a minha querida calle Serrano (que mesmo pejada de trolhas e pó e cheiro a alcatrão novo é a minha mais querida amiga nesta cidade).

serei só eu?

Poucas coisas me fazem sentir tão ridícula como deixar uma mensagem no voice mail de alguém.

Promessas

Tinha-me prometido a loucura desta Chanel (com as correntes prateadas) caso algo acontecesse até ao final do ano. Parece que sim, que está tudo encaminhado para isso e eu vejo-me a fraquejar. Que com este dinheiro compro uma boa carteira preta que bem preciso, mas Prada ou Burberrys, aquele anel da Bulgari que nunca tenho cojones para comprar, e umas botas Louboutin que ando a namorar... É incrível como a nossa mente nos prega partidas, se perde em devaneios e raciocínios para explicar o que não precisa de explicação: estou a acobardar-me!

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

desenvolvimentos sobre a casa

Liguei para o senhorio e o meu sotaque comprometeu-me. Devia aquela besta quadrada imaginar que estava a falar com uma emigra pé-rapado qualquer, que aluga uma casa e enfia dois primos na banheira e três na cozinha. Avisou-me logo à má fila que era para ficar lá por mais de um ano, yada yada yada. Quando lhe disse que conhecia a legislação, vivia lá ao lado há dois anos, conhecia o bairro, o peixeiro, o gerente do supermercado e todos os restaurantes e comércios das redondezas matei-o. Eu sou uma betinha do meu querido bairro de salamanca, por quem me tomas? À continuação, numa de KO, puxei dos meus galões para reduzir o homem à sua insignificância... Não sou assim, mas fiquei chocada de ser completamente discriminada pelo meu sotaque numa procura de casa. Como se fosse menos do que qualquer uma que diz o sea e abana a sua Speedy falsa pela Ortega Y Gasset, pelo menos a minha é bem verdadeira. De galões puxados, claro que o homem ficou conquistado! Ligou-me logo para ir lá amanhã e ver a casa e chegarmos a um acordo. Isto porque eu disse que queria dar dempo à minha actual senhoria para resolver a sua vida. Acho que aí passaram a certidão de óbito ao homem. É a minha vida, convencer pessoas que querem mais do que tudo algo que eu quero que elas queiram. No amor não funciona, infelizmente... mas nestas coisas de ficar com um apartamento que é um achado ainda dá.

A minha casa

O meu apartamento é pequenino mas eu adoro-o. Hoje vi um anúncio de um outro mesmo ao lado, um pouco mais caro mas sem os defeitos do meu. Terá azulejos pirosos, penso eu, mas não. Os roupeiros não são tão bons, e isso deve ser o maior defeito. Na sala quero que haja espaço para um sofá cama, o das visitas, ou o meu quando são casais que me vêm ver. A ver se ainda o apanho, porque aqui em Madrid arranjar um bom apartamento no bairro de Salamanca é como ir aos saldos a 7 de Janeiro no Corte Inglês ou estar na porta da H&M este Sábado para arranjar uns trapos da Jimmy Choo.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Factos: Lays Light

140g
644kcal


Eu devia ter lido isto antes de por um pacote grande de Lays light dentro da minha barriga até há uma hora lisinha! Diz aqui no pacote que eu posso queimar isto com:

dormir 10 horas (não vai ser esta noite de certeza)
Correr: 1 hora (deve ser para gozar comigo)
Ir às compras: 4 horas (possível, não digo que não, principalmente se for pelas ruas de NY)
Dançar: 2 horas (Sábado mi aguardem)

Não volto a comprar batatas fritas
Não volto a comer batatas fritas
Não volto a sucumbir à tentação de comer batatas fritas
Não volto a ... mas eu gosto tanto de batatas fritas!

I adore simple pleasures. They are the last refuge of the complex. Oscar Wilde

A sério, se me perguntarem se eu sou uma pessoa simples eu digo que não. Simples? Só se estivessem a brincar comigo. Tragam o profiler do FBI para me analisar e ia ficar com os esquemas furados. Tanto gosto de ver gossip girl como filmes indie, ouço a Beyonce entre Kings of Leon e Metallica. Eu simples? Adoro ficar em casa no sofá a ver um filme da Audrey Hepburn ou sair para dançar até de manhã com as minhas amigas. Não sou fácil, sou bem difícil, sou exigente, muito exigente, aponto defeitos, erros e tenho uma dificuldade bastante grande em perdoar os erros dos outros, para não falar dos meus senão vou ali já entalar a mão na porta. Mas tudo isto cai por terra com atitudes e gestos simples que rasgam sorrisos na minha cara e me fazem verdadeiramente feliz.

Podia por dinheiro na coisa

Aposto que quando digo que estou na cama a ler ninguém me imagina de t-shirt azul escura da NYPD - aquele souvenir obrigatório de NY - calças de pijama de flanela, cabelo apanhado e máscara na cara. Quando digo que estou na cama a ler, imaginam-me de lingerie sexy a fazer boquinhas e olhinhos e provocadores.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

ai ai ai

Ele derrete-me completamente quando diz que pensa em mim sempre que olha para as montanhas a norte e depois também a cada outro instante. Mas quando me diz que tudo o que queria era cozinhar-me o jantar e depois ficar comigo no sofá a ver um filme, ai, quando ele me diz isso, eu tenho a certeza que ele gosta de mim.

Afinal são só rapazes...

Vou ser categórica: os homens são mauzinhos com as mulheres na blogosfera. Bem sei que estou a generalizar, estou, há uns quantos queridos - e não são poucos, obrigada, obrigada, palminhas para eles - que nos lêem verdadeiramente interessados em entrar no nosso mundo e compreender um pouco melhor essa trabalheira que é decidir entre as milhentas cores de verniz que existem por aí, cremes para a celulite, métodos de depilação, quanto tempo é muito tempo para curar um desgosto de amor, devaneios se ele está interessado ou se apenas não recebeu a mensagem que lhe enviámos e por isso desligamos e ligamos o telemóvel e enviamos mensagem a nós próprias - triste, muito triste, um bater no fundo do qual eventualmente nos cansaremos. É um mundo sublime e complicado em partes iguais, bem sei, mas eles mostram interesse, mostram curiosidade, muitas vezes mostram mas é perplexidade, mas nós percebemos que nem sempre é fácil entender coisas que nos ultrapassam, que nos são superiores (para mim é um mistério como se faz electricidade, assumo). Estes são a excepção que confirma a regra. Agora para os outros, sim esses malandros que acham que a blogosfera só serve para debates antropológicos sobre a condição humana, discussões filosóficas sobre aquele livro que ninguém leu, ou para discutir os meandros da política portuguesa que mais parece uma novela mexicana dos anos oitenta com mais vilões que bonzinhos, para esses que acham que falar de vernizes ou sentimentos é um assunto menor, a esses vos digo que não acredito em vocês! Vocês são homens, guardam muito poucos segredos, são uma espécie há muito estudada e catalogada por nós, mulheres. Por isso, posso dizer do alto da minha sabedoria que uma boa parte de vocês gosta de gajas com coisas de gaja - que seria uma gaja sem um par de mamas, por exemplo? Por isso não acredito quando dizem mal de gajas com blogs de gaja! E poderia continuar a falar de coisas de gajas que só uma gaja tem e vocês gostam m u i t o mas este é um blog com bom gosto e eu já disse gaja mais vezes do que as que gostaria. Vocês são como os miúdos que no quinto ano que me perseguiam para me bater porque era a única forma que tinham para me tocar, mas a bem da verdade, ainda bem que evoluíram para uma forma mais agradável de toque que botas ortopédicas no meu rabo, porque eu já começava a pensar que estava condenada a uma vida sem prazer. Lembro-me de me perguntar quanto mais teria que esperar que evoluíssem para a parte de me querer dar beijos atrás do ginásio e escrever papelinhos a dizer "Gosto muito de ti, queres namorar comigo? Sim [ ] Não [ ]". Foram muitos anos… mas eu aguentei a espera, e sinceramente vos digo que valeu a pena não me ter passado para o outro lado.

Em jeito de conclusão, vos digo (as mulheres e os homens com H grande e pêlos no peito já me entenderam, eu sei, mas há quem seja mais lento, vamos todos ter paciência e ler mais um bocadinho, sim?): vai chegar o dia em que vocês se vão sentir tão bem na vossa própria pele que vai ser desnecessário criticar-nos e enxovalhar-nos por pôr em palavras coisas tão tão transcendentes como o amor. A esses senhores que estão ainda na pré-adolescência social e cultural gostava de deixar uma palavra de esperança: vocês podem achar que não, que a vossa pila vai ficar assim raquítica e inanimada para sempre, que vão falar com essa vozinha de cana rachada para uma eternidade dedicada ao canto dos números da lotaria, que jamais vos vão nascer pelos no peito ou noutros sítios (sim eu sei que sonham com o dia em que lhe vão chamar "caminho para a perdição"), que jamais nos vão fazer suspirar e pedir mais, mais, por favor, quero mais, mas eventualmente acontece. Chega o dia em que a pila se anima quando num dia de calor, uma corrente de ar põe em evidência coisas nossas que vos são irresistíveis, e as vossas cordas vocais, entretanto possuídas por um galã de cinema, dizem sem medo "este é o caminho para a perdição". Pode parecer agora que receber um beijo, um abraço e coisas bem mais picantes nunca vos vai acontecer, mas vai. Nesse dia desistem de nos bater porque só nos querem fazer festinhas (a nossa pele é muito mais suave e cheirosa, eu sei). Eventualmente, sem saber muito bem como e porquê, a evolução acontece. Já não estão no quinto ano, já não precisam de uma quadrilha de amigos para se sentirem seguros ao lado de uma mulher e podem abrir sem complexos um blog de gaja e maravilharem-se com esse mundo que é tão sublime e complicado em partes iguais…

Domingo, Novembro 08, 2009

Porque há palavras que sobram...

Hoje vou estar aqui mesmo que não esteja coisa nenhuma.

Sábado, Novembro 07, 2009

Os meus eventos

Hoje tinha decidido trabalhar até mais não, privar-me de alegrias, festas, copos e companhia. Concentrar-me não foi de todo fácil, Internet, blogs, facebook, os amigos no balckberry Messenger, mas lá impus uma vontade que certamente não era a minha. Mas há dias que não dá. Há dias em que simplesmente sinto uma força terrível de revolta e resisto a uma vida monótona e sem graça onde já é normal trabalhar em fins-de-semana prolongados. Bem sei que são sete e meia e vos escrevo do meu escritório que não é mais que o prolongamento da minha casa, a divisão maior da minha vida. Sim é triste… Por isso não resisti ao desafio de uma amiga, disse que seria só um jantar, por a conversa em dia e dizer mal de rapazes. Haverá algo mais giro para se fazer num sábado à noite? Daqui a pouco tenho que me por a andar porque ela merece ver-me mais gira e bem arranjada que um date qualquer. Estou num ponto em que até uma ida à lavandaria ou ao sapateiro é considerado um evento social, mas ela que é espanhola nem se vai aperceber, para elas acordar já é um evento social.

hoje é o dia

Eu sei que às vezes te assaltam intenções de beijos e passeios à beira mar onde o vosso mundo possa fazer sentido para alguém mais que não só para ti. Bem sei que tentas esquecer os enganos e as traições porque a tua imaginação se alia à memória de uns quantos instantes bons para criar um romance sem comparação, que quando materializado em palavras ditas ou escritas se transforma em cinza e te sufoca os pulmões. Podes não esquecer nunca mas podes não querer esperar, porque quem espera quer ver, quer sentir, quer cheirar, quer beijar, não quer dar um passo em frente. Hoje é dia de assumir que acabou, atirar essas cinzas ao vento e construir um mundo feito de outros instantes. Hoje é dia de querer esquecer mesmo que aches que isso nunca vai acontecer, mesmo que haja dias em que passas a noite toda a chorar, esperando em vão que seja menos doloroso o exercício de viver sem todos os instantes que imaginaste. Hoje é o dia de deixar de viver a prazos, de sobreviver, hoje é o dia em que mereces acreditar que mereces um final feliz.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Anoto para não esquecer

"Remember, if you ever need a helping hand, it's at the end of your arm, as you get older, remember you have another hand: The first is to help yourself, the second is to help others.” Audrey Hepburn

Para nunca esquecer que primeiro estamos nós, primeiro está o nosso sorriso, o nosso equilíbrio, o nosso bem-estar. Para nunca esquecer que primeiro temos que ser completos, inteiros, felizes e realizados. Só depois vêm os outros, os que tanto podem fazer muito bem como muito mal, que abanam o nosso mundo mas nós somos fortes para aguentar o tornado que bem pode saber bem como uma viagem de montanha russa, ou enjoar de tédio como um carrossel. Perdoem-me o egoísmo, mas primeiro estou eu e só depois os outros. Anoto para não esquecer.

No entanto, guardo a reserva de colocar outro à minha frente quando tiver filhos. Dizem que é mesmo uma mudança radical, um altruísmo infinito, um amor incomparável.

Coisas minhas

À sexta-feira, invariavelmente jogamos no Euromilhões. Depois de entregar os meus quatro euros concedo-me sempre o prazer de imaginar o que faria com os cem milhões. Bem sei que me caberiam "apenas" cinco ou seis porque entramos muitos numa de aumentar as probabilidades de ganhar qualquer coisa.

De cada vez que penso nisto vou desenvolvendo o meu plano - oxalá alguma vez ganhe porque aí terei a estratégia mais que afinada. Já não me demoro nos muitos milhares de euros que deixaria entre a Ortega Y Gasset e a Serrano porque entre jóias, sapatos, carteiras e trapos iriam uns trocos. Já não me perco entre que barco compraria para uma temporada em St. Barts, ou na companhia obrigatória para animar banhos de sol e de mar e muitas noites regadas a mojitos. Já não me questiono entre os Alpes ou Aspen para um Inverno forrado a cashmere a ouvir o crepitar da madeira na fogueira enquanto me dedico a ler e beber bons vinhos entre um dia de ski e outro de spa. Já não discorro sobre toda esta estabilidade que só viria depois de muitas viagens, de muitas cidades conhecidas e desconhecidas.

Hoje fiz contas, imaginei-me sentada a uma mesa a receber os banqueiros, a discutir investimentos e aplicações para os meus dinheiros, a negociar taxas de juro e a exigir rentabilidades - deve saber tão bem estar do outro lado... Depois apercebi-me que necessitaria um porto de abrigo, uma base, um lugar para ir entre as viagens, um lugar para chamar casa. E a casa é para partilhar, mas com quem? Eu que já ando sempre com o pé atrás, como seria acreditar no amor e nas relações com cem milhões na conta bancária? Porque claro está, ser rico é melhor que ser pobrezinha, nem que seja por uma questão financeira, mas nós também não fomos feitos para ficar sozinhos!

Hoje decidi que se ganhasse os cem milhões de euros ou os cinco ou seis a que estou efectivamente candidata a ganhar não diria nada a ninguém. Compraria umas jóias, uns sapatos, umas carteiras e uns trapitos, mudaria para uma casinha melhor que o meu cubículo, faria umas férias mais malucas, mas guardaria segredo quanto ao dinheiro. O dinheiro pode comprar muita coisa, mas eu não preciso de ser mais desconfiada em relação ao amor.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A Feiticeira e a neve

Eu sou pior que uma criança na neve. Gosto de ser a primeira a chegar às pistas, sou capaz de pregar rasteiras para passar à frente na fila das telecadeiras, gosto dos saldos, da adrenalina das pistas pretas, de ficar até á última hora que é quando eu desço com mais calma a última pista. Gosto de tirar fotos, de parar de vez em quando para levar a paisagem na alma, dar valor, agradecer. Gosto do aprés ski, dos copos, dos petiscos, das sestas, dos jantares e das racletes. Gosto de fazer desporto mas não sentir o cansaço até que paro. Gosto da exaustão que é só física porque há poucas coisas que me animem tanto como deslizar na neve. Gosto.

O que eu não gosto? Não gosto de pessoas que vão a pisar ovos nas pistas porque me apetece levá-los pela frente, de pessoas que se metem nas pistas pretas sem coragem ou técnica, ou as crianças que fazem ski muito melhor que eu. Depois irrita-me não controlar o cabelo frisado e com as pontas congeladas, e a testa marcada do gorro e dos óculos. Por muito giras que sejam as minhas roupas de neve, tenho sempre a impressão que não sou assim muito estilosa nas pistas...

Um prémio é sempre especial

No meu trabalho há muitos prémios, muitos rankings, muitos estudos que nos dão uma nota, que escarrapacham o nosso nome e apelido e depois mandam umas estátuas enfadonhas pelo correio. Depois no resto do ano anda meio mundo a dizer mal de nós, a esmiuçar-nos os erros, a questionar cada sentencia que damos, ainda há pouco tempo chamaram à minha classe "essa corja de ociosos e incompetentes". Por isso devia relativizar quando dizem que eu sou a melhor nisto ou naquilo (e o pormenor é tão grande que muita gente pode ser a melhor também), devia, mas não estou para isso. Hoje estou contente por ver que o trabalho duro compensa, eventualmente.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Insatisfação crónica

Agradecer não é fácil, não é só um obrigada que nos sai pela boca enquanto rasgamos um presente ou ouvimos um elogio, mas também. Muitas vezes entre cada letra qualquer um sente a desilusão, o fastio e a insatisfação. Por isso, há um exercício que faço todos os dias: não pedir só porque é simples vomitar aquelas palavras, porque nos sentimos no direito de receber só porque damos, porque queremos algo mais do que o que os outros querem dar. Eu não sei muito sobre a vida, mas nunca me chegou aquilo que exigi, ou pedi com falinhas mansas. Há sempre uma parte de auto-estima que se perde no processo que nos faz querer sempre mais e não ficar satisfeitos com o que recebemos, mesmo que tenhamos recebido exactamente aquilo que pedimos. No fundo, eu também não gosto que me façam exigências, que me peçam algo sem me darem espaço e tempo para espontaneamente oferecer.

Por isso, ontem dei realmente valor, quando ele me mandou um email com os voos que ele pesquisou para mim e com um plano completo para umas mini-férias a dois. Surpreendeu-me! Claro que foi impossível sequer pensar duas vezes porque a meio da primeira já tinha pedido os dias ao meu chefe e comprado os voos. E pude constatar que as lições ficam ainda melhor sabidas com as alegrias. Prometo continuar a não ser uma insatisfeita crónica e agradecer ao cosmos a sorte que tenho todos os dias. Como um amigo meu me disse hoje: por mais imperfeita que a vida seja, dá para ser feliz comó caraças com ela, tal qual ela é!

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Haverá uma razão, mas ultrapassa-me.

O amor é calor e o desamor é frio. O amor é os pés a fugir do chão e o desamor o chão a fugir de debaixo pés. O amor é um sorriso e o desamor é um sorriso amarelo. Nem sempre chego à conclusão de que vale um amor se o desamor me espera. Procuro não guardar rancor aos desamores mas não é fácil, porque o amor que podia salvar um desamor não está lá, já só se sente o amor do presente. Nos amores e desamores passados encontro-lhes sempre outras razões que não o amor para ter valido a pena o desamor, nem que seja um amigo que vai ficar para lá de tudo o que passa. Procuro entender-lhes o sentido, desdobrar-me em conjecturas que chegam a fazer um desamor ser tão significativo na minha existência como o dia em que nasci, porque eventualmente, voltei a nascer depois de cada um. Há dias em que num ataque de boa vontade agradeço ao desamor ter conhecido um amigo, ao amigo um porto de abrigo numa viagem, uma paz que me fez querer lá voltar para um jantar e uma festa. Depois o beijo já não o agradeço a mais ninguém a não ser a quem mo deu.

Eventualmente, acabo por chegar à conclusão que procuro razões para coisas sem razão ou que ultrapassam a minha certamente. Tal como peças de dominó que caem numa aflição imparável, realmente a fonte de tudo, do meu destino, estaria naquele senhor que é meu pai mas pai do meu pai também. Porquê parar num desamor quando procuro razão ao meu destino? Porque se me remontar ao anterior, também vejo como me aquele levou ao seguinte… E lá se vai toda a minha boa vontade, e resigno-me: afinal aquele desamor não terá sido tão importante como isso, não foi um ponto de mudança, não foi um arrebate que me fez mudar de estrada. Não foi amor ou desamor algum que me trouxeram aqui, porque o universo já conspira o meu destino antes mesmo do amor dos meus bisavós.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

O meu fim-de-semana

É um imperativo de felicidade e alegria ter amigos à minha volta sem que eu seja o centro de coisa alguma. Não ando em baixo, não vieram para me animar, não faço anos, nem fui promovida ou mudei de emprego. Para o bem ou para o mal, eu sei que eles lá estão, mas sabe muito bem quando é por coisa alguma, quando não há uma desculpa ou razão e mesmo assim eles estão lá. Há fins-de-semana em que a amizade é a diversão, os sorrisos e as gargalhadas, são pés cansados de tanto dançar, mãos frias de brindar com cavas, vodkas e coca colas para ressaca, são fotos que ficam para mais tarde recordar, dos sorrisos, das gargalhadas, dos pequenos almoços com olhos pintados a comer tâmaras e tortilhas de batata. E eu já tenho saudades de as ver enrolar ondas no cabelo com o baby liss, divagar sobre a técnica de um risco preto certinho, das botas alinhadas numa parede, e das malas espalhadas na sala.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

A democracia da minha paciência

Irritam-me as pessoas que falam por falar, que se perdem em quimeras sem sentido, em detalhes de linguística, em sofismas que só são válidos no mundo deles, do coelhinho da Páscoa e da Alice no Pais das Maravilhas. Apetece-me dar-lhes o site do blogger, encaminhá-los para um mundo onde só os lê quem quer, quem gosta, que só vai quem lhe sobra tempo no trabalho, poupa nas pausas do café ou nas horas d sono, quem entre as diarreias mentais que para aí andam, escolhe as menos mal cheirosas. Mesmo quando vocês os dois não passavam aqui e isto mais se parecia a um diário de uma solteira com incontinência verbal, eu era feliz por ter um lugar onde os meus pensamentos podiam viver fora de mim sem ter que forçar alminhas caridosas a trabalhos sociais forcados. Queria essa democracia dos blogues na vida fora dos zeros e uns... É que há pessoas que eu não queria ter que aturar, nem que o meu máximo esforço seja acenar a cabeça. Toda a gente sabe que essas pessoas gostam é de tomar banhos de imersão de prepotência, arrogância, e uma boa dose de insegurança. Haja paciência para quem aprende a falar sem saber ouvir. Esta democracia da paciência chamar-se-ia "a ditadura dos blogues". Vão lá, descarreguem tudo e não me chateiem. Não querem saber a opinião de ninguém, não querem ser desafiados, nem que as suas ideias sejam postas em causa, querem falar enquanto mantêm a caixa de comentários fechada. Para isso tenham um blog. Não me chateiem!

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Será...

Que tenho mesmo que escolher? Não posso ficar com tudo? Ok... vá, podem levar aqueles dois vestidos do lado direito, coisinha mais esquisita! E aquelas sandálias azuis também não são a minha cara a bem da verdade, nem a cardeira zebrada. Mas o resto, juro (ok, aquele vestido preto curto com mega decote também pode saltar fora) que quero tudo!

*Jimmy Choo para H&M

Coisas minhas

Há pessoas que parecem uma coisa e são outra, muitas vezes enganamo-nos na primeira impressão e descobrimos coisas boas ou coisas más. Também é verdade que há pessoas que nos conseguem continuar a surpreender pela positiva e outras que tendo duas caras não têm a sorte de nenhuma ser bonita. Cada vez mais acho que não é fácil andar nesta selva de macacos e rastejantes. Mas hoje, mais do que me perder em questões antropológicas, perco-me de amores por sapatos: estes ficavam-me a matar.

Brogue Trader


Adoro! Quero!

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

que dia...

Ele liga-me todos os dias à mesma hora, costuma ser breve, só para dizer uma coisa bonita e me animar as horas que me faltam à frente do computador. Eu gosto. Mais umas mensagens e só volto a ouvir-lhe os devaneios antes de adormecer, num doce embalo para sonhos bonitos. Mas hoje estou exausta, ainda estou a trabalhar e tudo o que quero é desligar o computador e adormecer no sofá a ver anúncios, sem conversas e com telemóvel desligado. Foi um dia para esquecer, no trabalho e na impossibilidade de por tanta gente como gostaria na minha casa este fim-de-semana. Não é fácil. De tão cansada que estou duvido que conseguisse explicar-lhe como há dias que tenho saudades da forma como ele me olha, como é delicioso perder-me naquela subjectividade de azuis e verdes. Mais do que o que eu vejo é o reflexo disso tudo em mim, sabe bem.

Quem foi ela?

Eu escondo bem a minha bagagem. À vista desarmada parece que viajo sempre só com mala de mão. Não digo logo o que me vai na alma, os meus medos, a inquietude e o desassossego que me afligem. Não minto, mas peco por omissão até ao dia em que a evidência choca com a prudência. Acho que muita gente faz o mesmo, é mais cómodo. Muitas mulheres mascaram bem medos, receios e pé atrás como se fossem passos estudados até à exaustão de uma dança mais ou menos romântica. Há quem pense que se estão a fazer de difíceis, há quem pense que são muito independentes e não querem um homem para nada. Mas os homens são péssimos a esconder, está-lhes nos olhos e no sorriso forçado, está-lhes na forma como esfregam uma mão na outra e entrelaçam os dedos na esperança vã de só ter que dar uma mão e sentir outra mais suave do outro lado da pele. Tudo vai ficando mais claro se falam sobre mulheres e as condenam a lugares comuns da Sibéria social, são todas iguais, umas porcas, umas safadas, umas manipuladoras, são droga e veneno sem antídoto. Depois se falam sobre relações, os que não acreditam, os que não querem, os que precisam de mil e uma certezas, de um processo exaustivo de provas e de reconhecimento de terreno, de viver mil e uma coisas antes de acreditar naquilo que na verdade já sentem. Não raras vezes perguntei a amigos ou menos amigos: Quem foi ela? Quem foi ela que te fez duvidar que podias ser feliz com alguém outra vez, que podias partilhar sorrisos e receber beijos em troca, quem foi ela que te fez ter medo daquilo que possas sentir, que te faz negá-lo como se palavras e exercícios de retórica valessem de algo, quem foi ela que te faz pensar que não foste feito para isto, que viver de coração aberto às balas não era contigo. Quem foi ela que te colocou esse açaime de arame farpado no coração que o obriga a bater mais devagar e com parcimónia?

Os meus desgostos de amor

Quem já sofreu um desgosto de amor saberá do que vou falar, quem nunca sofreu é desnecessário preparar-se porque nunca saberá de onde veio aquele camião TIR que lhe vai espalhar as entranhas pelo asfalto e fazer sentir dor em lugares que nem sabia que existia. Pensamos que mais valia morrer que sofrer tamanha dor, vai-se o apetite e a vontade, revimos o filme na nossa cabeça em câmara lenta, não seja algum pormenor escapar-nos. A culpa não pode ser toda nossa, mas sentimo-la pessoal e intransmissível. E andamos ali, de um extremo ao outro, do choro ao riso histérico, numa cadência que nos vai devorando o optimismo. É nesse momento que achamos que nunca mais vamos ser felizes, que tivemos tudo e o deitámos a perder e, sem saber bem porquê, apertamos o silício numa mortificação mais que merecida, imperativa. Eu que já passei por isto algumas vezes sei que não era melhor ter morrido, não era melhor não ter acabado, não era melhor não ter amado. The old dreams were good dreams, and i'm glad i had them, disse o Robert à Francesca. Mas eu digo isto agora, a uma distância alegre e de coração quente. Digo agora que não me arrependo das histórias que vivi, dos amores e desamores. Todos eles parecem plantados na minha biografia para me trazer aqui, onde sou feliz. Mas a verdade é que há desgostos que preferia não ter vivido. Mesmo parecendo ingrata com a minha sorte, o que eu quero dizer é que os desgostos de amor nos fazem estar menos abertos e receptivos, mas mais receosos e defensivos. E toda a gente sabe que menos com mais dá menos. Eu preferia não ter vivido nunca um desgosto de amor. Preferia nunca ter sofrido só para não ter nunca medo de sofrer.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Pior que vir com um vestido indecente para o trabalho...

...é o CEO da nossa empresa nos decidir visitar nesse mesmo dia. Quando entrei na minha sala onde ele andava a cumprimentar o pessoal - tinha saido por uns minutos e, desprevenida, ia tendo uma paragem de digestão quando voltei - começou a falar lento porque a cabeça estava ocupada a sofrer o abalroamento que a visão do meu mini-vestido provoca em corações mais fracos. Cinco segundos depois, já recomposto, mas vexado, cumprimentou-me. Tenho para mim quando ele disse o meu nome (sim sabe o meu nome e o que ando para aqui a fazer), me chamou Feiticeira muito baixinho...

Um doce para os meus coleguinhas

Hoje não pensei muito quando me vesti claro está. Vestido de malha rosa velho, muito giro (e por desanove euros na H&M é mesmo muito giro), de gola alta daquelas que caem, numa palavra, amoroso. Pus umas meias opacas e botas pelo joelho, agarrei na minha carteira e saí de casa contente da vida. Achei eu que estava mais que decente, estava gira. Enganei-me. Sou uma indecente, uma galdéria, com classe e daquelas finas, mas uma galdéria! O vestido é curtíssimo e não me sinto nada à vontade quando me sento. Enfim, um dia para esquecer. Para eu esquecer, porque os meus coleguinhas o vão lembrar nos próximos meses...

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

As minhas coisas

Os fins-de-semana românticos, carregados de beijos, olhares dengosos, suspiros e emoções partilhadas a dois são fantásticos. Hoje quando cheguei ao escritório sentia que tinha deixado a minha secretária arrumada há pelo menos uma semana. Os fins-de-semana românticos são intensos e relaxantes na medida certa para nos fazer desligar das chatices e dos problemas que deixamos para trás. Mas se há coisa que tenho saudades, depois de fins-de-semana a trabalhar, de um de ressaca dos anteriores, e deste fim-de-semana em Itália que ainda não me saiu do pensamento, se há coisa que tenho mesmo saudades é de um fim-de-semana com amigas, falar de sapatos, carteiras, vestidos, enchumaços, da colecção do Jimmy Choo para a H&M e cores de verniz, das idas às compras, do rebuliço em frente ao espelho com secadores e baby liss para depois falar outra vez dos rapazes entre mojitos, caipirinhas, vinho do bom e cavas, de chamar um táxi e rirmo-nos o caminho todo, dançar a noite toda para chegar a casa com os pés feitos num oito mas sentir que valeu a pena.

Não vi Veneza

O meu fim-de-semana não teve gôndolas, canais, nem beijos em nenhuma das quatrocentas pontes que servem Veneza, não vi a Piazza San Marco nem tomei um cioccolato caldo no Florian. O meu fim-de-semana começou em Veneza, quando os olhos azuis dele me encontraram nas chegadas de Marco Polo antes de eu lhe ter sentido o cheiro. Foi de surpresa que me abraçou e tirou os pés do chão para só depois me dar as boas-vindas, e as palavras sobraram porque já tinha sido muito bem recebida. Por isso, ainda demorei um pouco a recuperar os sentidos e conseguir dizer qualquer coisa que fizesse sentido. Estava a chover e deixámos Veneza para trás, disse ele que tinha um plano melhor que fazer-me suportar o mau cheiro de Veneza depois de dias de temporal. Menos de uma hora depois, e tendo confirmado que os italianos merecem a má reputação na condução, chegámos vivos e a uma villa plantada entre vinhas e árvores de fruta no sopé de umas montanhas pitorescas. Rumámos depois para o centro da cidade que o viu crescer. Mostrou-me as linhas daquele edifício do arquitecto-local-mais-que-famoso que viveu há uns quantos séculos atrás e deixou uma herança cultural que transpira ainda por todos os poros da cidade, as escadas, as ruas, aquele bairro, a universidade… Eu já não sabia apontar o norte e o sul, era informação a mais, estava desorientada mas não por isso menos encantada. Ainda faltavam umas horas para o jantar e a cidade, iluminada por candeeiros de ferro ataviados com pequenos canteiros de amores-perfeitos, movia-se num rebuliço para o aperitivo. O aperitivo típico é uma mistura de Prosecco e Aperol que se chama Spritz que serviam acompanhado com umas tapas e, logo na primeira, eu soube que aquele ia ser um fim-de-semana de bom garfo. Brindes, boa conversa, mais um bar mais um Spritz, noutro bar e só para variar brindámos com um bom Prosecco. A esta altura não eram só os beijos dele que faziam as minhas pernas fraquejar: a alegria do reencontro misturava-se docemente com a do vinho. Rimo-nos muito, conversámos, encontrámos uma ponte tão românticas como qualquer uma de Veneza e nenhum beijo foi poupado. Já era tarde quando entrámos num restaurante acolhedor onde o conheciam pelo nome, tive direito a ser atendida em inglês, o que foi desnecessário porque queria que fosse ele a definir os sabores do meu roteiro gastronómico, bom vinho e boa comida depois e eu estava já mais que rendida. Fomos os últimos a sair do restaurante e demos o dia por terminado, pelo menos nas ruas da cidade onde chovia uma chuva fininha que me teria irritado em qualquer outra situação.
Não sei se foi o sol - quem diria que àquela tarde e noite se seguiria um dia daqueles? - se o sono alegre dele polvilhado com deliciosas gargalhadas enquanto sonhava, mas acordámos bem cedo e felizes. Subimos a montanha de carro, porque de estômago vazio outra coisa seria impossível. Uma vista panorâmica da cidade e um dedo a desenhar no ar o roteiro do dia anterior e o daquele dia também. Seguiu-se um pequeno-almoço numa piazza icónica que por sua vez precedeu uma visita guiada e de lição estudada. Pus os pontos cardeais nos seus sítios, porque à luz do dia as coisas parecem mais organizadas.
Seguimos para o aeroporto pequenino e com pista relvada para descobrir a paixão dele por aviões, mais propriamente por planadores. Depois uma lição rápida e munida de um pára-quedas e um saco para o enjoo da Alitalia, descolámos. As montanhas tinham matizes de verdes e castanhos que no chão seja ao longe ou ao perto se misturam e perdem. Foi uma emoção. O saco para o enjoo não foi usado, mas que por vezes senti o estômago às voltas não posso negar. Conheci-lhe os amigos pilotos, almoçámos por ali e ficámos a descansar na relva a ver os outros a levantar e aterrar, curiosa como eu sou, tinha mil perguntas… Saímos para conhecer outras terras nas redondezas, castelos, igrejas, palazzos e vistas de cortar a respiração. Imaginei aqueles lugares a séculos de distância e não seriam tão diferentes assim. Aposto que outras antes de mim foram abraçadas naquelas muralhas e sentiram frio na barriga e o bater das borboletas à procura de amores-perfeitos… Mostrou-me o lugar dos projectos dele, de onde me liga e me escreve. Não fosse eu me sentir intimidada com a dificuldade de comunicar em italiano, deu-me a mão com segurança e apresentou-me a toda a gente que o conhece desde sempre. E porque o aperitivo é compulsivo, lá fomos nós beber um Prosecco a olhar a ponte de madeira. Depois fomos jantar e as palavras não chegam para descrever o momento em que sem complexos me rendi à gastronomia italiana. Estava rendida, convencida e conquistada, sem pensar na dieta que me esperava no regresso a Madrid. A noite foi longa…Acordámos bafejados com a sorte de termos ganho uma hora ao fim-de-semana, confirmámos os números da lotaria em que apostámos no dia anterior para chegar à conclusão que com a nossa sorte ao amor, nem um número tínhamos acertado. Dissemos adeus à villa e fomos trocar o carro por uma mota porque o asfalto já estava seco da intempérie de sexta-feira e estávamos em Itália, tínhamos que nos mover como italianos. Tentei escapar-me, mas a certa altura o meu medo podia parecer indelicadeza e conheci-lhe a família, ia ser inevitável, sabia-o aquando da mudança de planos. Era Domingo e mais do que tradição, encontra-lhe sentido - há sempre tantas coisas pelas quais agradecer, explicou-me - fomos à missa e quando lá dentro disse que gostava mesmo de mim, eu soube que podia acreditar e deixar de ter sempre tantas reservas. O avião era cedo mas deu tempo para almoçar em casa dele, não me lembro da última refeição caseira que tive, e custou controlar-me para não repetir mais do que uma vez. Levou-me de volta a Marco Polo sem largar a minha mão nem para meter mudanças ou pagar as portagens. Desta vez dissemos adeus mas eu tenho para mim que o vou voltar a ver. Não sei se será para uns dias nos Alpes quando a neve chegar, se será antes em Madrid ou Portugal. Nunca consigo fazer grandes planos, ficou-me o trauma de quando os fazia furados. Quando tiver que ser, será.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Vou só ali e já volto

A vida não são fins-de-semana românticos em Itália, tapas em Madrid, um veleiro pelas ilhas gregas ou uns mojitos em Nova Iorque. Ele está sempre que o meu sorriso acontece mas não sei se será causa ou consequência... Depois às vezes ainda penso que as circunstâncias não são as melhores e levanto senões, mas haverá melhor circunstância que a nossa?

A verdade, verdadinha é que já só penso nos passeios, nas conversas, nos beijos roubados e dados de mão beijada também, nos jantares românticos, e nas noites intermináveis...

Vou só ali e já volto.

O frio já chegou mas ainda me cheira a verão

Por mais muros que construa, ele vem e derruba-os sem deixar poeira. Às vezes, a simplicidade com que se impõe na minha vida, me exige um fim-de-semana a dois ou me lê o brilho dos olhos, causa-me urticária. Outras vezes, deixo-o aconchegar-me nos lençóis e entrelaçar os pés nos meus. Esta dicotomia numa cadência de emoções contraditórias é tão inquietante como deliciosa. Por mais conjecturas e raciocínios que desenvolva para me ajudar a mantê-lo um pouco mais distante, esse pouco parece-me sempre perto de mais. Tenho medo. A princípio parecia mais fácil, era um impulso que nos guiava, o amanhã parecia longe de mais para pensar nele, para acreditar que era mais que um mito. Era verão, e pensar no frio era como imaginar-me a usar enchumaços há um ano atrás. E quando chega a altura de guardar definitivamente as sandálias e os vestidos leves que usei enquanto contava, com ele, estrelas cadentes numa baía perdida na Grécia, não consigo deixar de pensar se não será também altura de guardar este romance de verão. Guardá-lo enquanto tudo ainda cheira a mar e a cremes de sol, enquanto ainda o faço rir com o meu italiano macarrónico e ele se esforça por me ensinar a ver o céu e descobrir-lhe os planos de S. Pedro para o amanhã que eu não quero que chegue. Guardá-lo enquanto não houve uma discussão, e só há coisas boas para guardar.

Depois o coração volta a pedir contas à razão, a pedir que lhe dê mais um dia porque é já amanhã que me meto num avião para o ver. A verdade é que seja Verão ou Inverno, já lhe dei uma parte de mim que ele pode partir – o meu coração – e isso assusta-me. Tenho medo, mas não há volta a dar, sobre o amanhã pensaremos amanhã, ou melhor segunda-feira. Segunda pode doer, posso armar-me de coragem para uma grande arrumação de Outono, posso ficar triste ou jurar esta inquietude para nunca mais. Mas hoje ofereço-me a felicidade sem pensar no amanhã ou no dia em que esta inconsequência levar um ponto final parágrafo.